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Luz e Força

LUZ E CALOR E A HISTÓRIA DO DESENVOLVIMENTO ENERGÉTICO SUSTENTÁVEL

Por Edgar Cardoso, em 15 de janeiro de 2021

“No princípio criou Deus o céu e a terra.

E a terra era sem forma e vazia; 

e havia trevas sobre a face do abismo; 

e o Espírito de Deus se movia sobre a face das águas.

E disse Deus: Haja luz; e houve luz.

E viu Deus que era boa a luz; 

e fez Deus separação entre a luz e as trevas.

E Deus chamou à luz Dia; 

e às trevas chamou Noite. 

E foi a tarde e a manhã, o dia primeiro.” Gênesis 1:1-5

Assim temos as primeiras referências do surgimento da luz, esta de extrema importância principalmente para nós terráqueos, onde a maioria das formas de vida necessitam da luz para sobreviver. 

Pouco tempo depois ainda nas cavernas, a noite atemorizava os seus habitantes e não demorou muito para dominarem o fogo, e com ele, a luz e o calor. Mas as pessoas foram se aglomerando em pequenas aldeias e a necessidade de luz foi aumentando. Os óleos passaram a ser utilizados para produzir luz. Assim, tivemos as lamparinas e os lampiões, que foram utilizados até na iluminação pública de pequenos vilarejos. 

A energia elétrica só começou a ser desenvolvida a pouquíssimo tempo. Apenas nas últimas décadas de 1800 é que tivemos as primeiras correntes elétricas, geradores a dínamo e a primeira lâmpada incandescente de filamento. Esta se tornou durável e economicamente explorável graças a aplicação do vácuo num invólucro de vidro. A partir daí, com sua aplicação doméstica ainda no final dos anos 1800 e já chegando no início de 1900, iniciaram as primeiras companhias comerciais de energia elétrica. Estas  forneciam também iluminação pública nos EUA, Inglaterra e França. 

Em Santa Catarina não foi diferente, quando as primeiras indústrias do Vale do Itajaí (a Cia Hering foi a pioneira) iniciaram seus trabalhos elas foram obrigadas a produzir sua própria energia. Isto se dava através de rodas d’água, daí a necessidade das indústrias estarem localizadas junto aos rios. 

As indústrias foram se desenvolvendo e a sua produção de energia não era mais suficiente para os parques industriais, e na primeira década dos século XX construiu-se a primeira usina hidrelétrica do Vale do Itajaí junto ao Rio Gaspar Alto, isso possibilitou que Blumenau fosse a primeira cidade catarinense a contar com iluminação pública. 

Mas em poucos anos a energia produzida pela usina de Gaspar Alto se mostrava insuficiente e a construção da Usina do Salto Weissbach, um projeto muito antigo, em 1915 finalmente saiu do papel. Esta usina produziu o suficiente para o crescimento industrial de toda a região, em 1922 foi a vez de instalar as transmissões em Indaial, naquele momento ainda distrito de Blumenau, dando-se o primeiro passo para a interiorização da Empresa de Força e Luz. Em 1965 todas as usinas hidrelétricas de Santa Catarina passaram a ser de controle estatal, a empresa criada denominou-se Centrais Elétricas de Santa Catarina (CELESC). Apesar das novas construções, a Usina Salto Weissbach permanece em pleno funcionamento, com seu maquinário original, até hoje. 

O cenário da distribuição de energia no Brasil vem sofrendo uma revolução silenciosa. Uma das faces que provocam essa mudança é a produção energética pelo próprio consumidor. Ou seja estamos vivendo atualmente uma espécie de retorno ao inicio do século XX onde cada empresa produzia a sua energia, no entanto agora a busca é por uma energia com menor impacto ambiental. Assim destaca-se a energia fotovoltaica, esta é obtida pela luz do sol que pode ser captada com painéis solares. O Sol é uma fonte de vida e de origem da maioria das outras formas de energia na terra. 

Apesar de Santa Catarina não figurar entre as regiões do País com maior incidência solar é do Estado a liderança no aproveitamento da energia gerada a partir do sol per capita, ou seja considerando o número de unidades de geração pelo número de habitantes. 

Seguindo esta tendência e na busca de uma empresa sustentável, desde o início do ano 2020 a Vira-Lata tem em funcionamento uma microusina para produção de energia fotovoltaica que supre 90% das suas necessidades energéticas. 

São 119 metros quadrados do telhado ocupados 48 placas solares, com uma potência nominal do sistema de 16,56 quilowatt pico e uma geração anual de aproximadamente 18 mil quilo watt hora, evitando a emissão de mais de cinco mil quilos de gás carbônico na atmosfera por ano, colaborando para a manutenção do clima na terra.

O fato de estarmos de portas abertas das 6 as 23 já evidencia a necessidade, no entanto mesmo depois que as portas se fecham o trabalho não para, os cuidados com os animais internados é ininterrupto durante as 24 horas, daí a busca por uma matriz energética que estivesse dentro da filosofia da empresa, que é operar de maneira econômica, social e ecologicamente sustentável.

Afinal como diz o hino de Indaial: “terra quente, oh Indaial! Esse  calor produz uma energia limpa, gerando menores danos ao meio ambiente. Desta forma a Vira-Lata torna-se uma das raras clinicas veterinárias do país a produzir energia fotovoltaica para garantir quase todo o seu consumo. Assim a Vira-Lata completa seus 33 anos, sempre à frente.

Referências

BIBLIA ONLINE. Genesis 1. Disponível em: https://www.bibliaonline.com.br/acf/gn/1. Acesso em: 29 nov. 2020.

PAULA, Simoni Mendes de. A utilização dos recursos energéticos no rio Itajaí-Açú (SC). Fronteiras: Revista Catarinense de História [on-line], Florianópolis, n.23, p.164-179, 2014