27/07/2025 Por Edgar Cardoso
O movimento popular internacionalmente conhecido como Outubro Rosa é comemorado em todo o mundo. A história do Outubro Rosa remonta à última década do século 20, quando o laço cor-de-rosa, foi lançado pela Fundação para Prevenção e tratamento do Cancer de Mama Susan Goodmann Komen e distribuído aos participantes da primeira Corrida pela Cura, realizada em Nova York, em 1990 e, desde então, promovida pela Fundação anualmente na cidade (figura 1).

Figura 1 Movimento outubro rosa – www.komen.org
Em 1997, entidades das cidades de Yuba e Lodi (California) nos Estados Unidos, começaram efetivamente a comemorar e fomentar ações voltadas a prevenção do câncer de mama, denominando como Outubro Rosa (Pink October). Mais recentemente a medicina veterinária incorporou este evento especialmente no Brasil, onde os casos de tumor de mama em cães e gatos são muito frequentes e pelo desconhecimento e busca tardia de tratamento tem levado muitos animais a morte. O câncer é responsável por 50% das doenças de cães acima de 7 anos e por 25% das causas de morte. Não existe uma predisposição racial, cães de raças puras ou de raças indefinidas, apresentam tumor de mama. Animais inteiros ou castrados depois do primeiro cio, com idade acima de 7 anos são o grupo de risco. Fêmeas esterilizadas antes do primeiro cio tem um risco extremamente baixo (menor que 0,5%) de desenvolver câncer de mama (Figura 2). Como em humanos a prevenção ainda é o melhor método. Quando detectado precocemente pode ter uma alta chance de ser curado. A palpação das mamas durante o banho, escovação ou mesmo durante um simples gesto de carinho pode detectar um pequeno nódulo. A partir daí a busca de consulta do médico de veterinário é extremamente importante. Tumores com tamanho inferior a 1 cm. possuem menos de 15% de chance de ser maligno. A retirada ou exerese imediata daquela mama ou daquele conjunto de mamas pode ser decisivo para cura. No protocolo pré cirúrgico está indicado a radiografia do tórax e ultrassom do abdome, para pesquisa de metástases ou seja para avaliar se o câncer de mama já atingiu outros órgãos como pulmões ou fígado por exemplo. Além de exames de sangue rotineiros.

Figura 2 Na figura podemos observar um tumor na mama inguinal esquerda.
É importante ressaltar que muitos donos tem receio de submeter seu mascote, já idoso, a um procedimento cirúrgico tão invasivo, mas quando feito precocemente
pode-se tomar todos os cuidados pré-cirúrgicos que garantem um procedimento, não isento, mas com alta margem de segurança. Ainda temos que avaliar que a espera só
vai provocar a piora do quadro e a diminuição das chances de cura. Quando falamos de câncer de mama em cães e gatos quanto mais cedo for a remoção cirúrgica da
mama, e muitas vezes acompanhada da esterilização (retirada cirúrgica do útero, tubas e ovários), melhor. Durante o procedimento cirúrgico é importante a experiência do cirurgião que determinará um menor tempo de cirurgia, bem como da equipe que o acompanha como auxiliares e anestesista (figura 3). Na recuperação pós cirúrgica, cuidados deverão ser estabelecidos para evitar o inchaço da região cirúrgica, bem como medicamentos para minimizar a dor e a inflamação até o momento da retirada dos pontos, é necessário. Normalmente o cão ou gato já volta as atividades normais em 48 a 72 horas do momento cirúrgico.

Figura 3 O procedimento cirúrgico é o procedimento inicial de todo tratamento para câncer de
mama.
Assim para a prevenção do câncer de mama o primeiro ponto é a esterilização das fêmeas antes do primeiro cio, se isso não é mais possível então o acompanhamento das mamas de forma rotineira principalmente após os 7 anos de idade.