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Voluntariado no Abrigo de Animais em Canoas/RS – ENCONTROS E REENCONTROS

Voluntariado no Abrigo de Animais em Canoas/RS – ENCONTROS E REENCONTROS

Nessa Missão, o que eu mais queria presenciar era a adoção de animais e reencontros. No meu segundo dia teve a adoção de sete cavalos (Figura 01)! Eles foram morar em um sítio de uma cidade que ficava próximo a divisa com o Uruguai.

Figura 01. Primeiro cavalo, dos 7 cavalos, a entrar no caminhão. Foto em frente à tenda 7 e 8.

Nesse mesmo dia, uma mulher ficou na dúvida sobre qual filhote adotar, daí ela levou dois e ainda nos agradeceu por cuidar tão bem dos bichinhos! Assim o coração se enche de alegria! No decorrer da semana ouve algumas adoções, inclusive de animais idosos!

As pessoas afetadas pela enchente continuavam procurando seus animais.

A minha primeira experiência com uma pessoa que estava procurando o seu bichinho, me marcou muito, porque ela começou a me contar sobre o remorso que sentia em não ter conseguido levar o animal, que o pai dela saiu com água pelo pescoço da casa e que não tinha o que fazer. Começou a chorar, eu comecei a chorar e assim foi… nesse dia, infelizmente, no abrigo ela não encontrou o seu tão querido cãozinho.

Uma outra pessoa estava revoltada, pois ela tinha quinze animais em sua casa, e estavam todos no segundo andar com água e comida. Segundo a tutora, eles estavam bem, mas nas palavras dela: “Uma maldita de uma ONG foi lá, e levou os meus cachorros! E estou a procura deles desde então. Por enquanto, achei quatro, faltam onze“. Talvez essa pessoa nunca mais os encontre, pois há um decreto de que se o animal está há quinze dias no abrigo, ele está apto para adoção. Assim eles podem já ter sido adotados ou até estarem em abrigos ou lares temporários em outros estados.

Passou-se a semana, sábado seria meu último dia e eu não tinha presenciado nenhum reencontro. Tiveram 02 durante a semana, mas não consegui presenciar. Eu só pensei: “será que Deus não vai me permitir ver nenhum reencontro?”; Mas é aquela velha história, quando Ele faz, Ele capricha!!! No sábado teve feira de adoção no abrigo, e muitas pessoas vieram tentar a sorte de reencontrar os seus. E eu fui abençoada com quatro reencontros!!! É muito emocionante!!!

O primeiro que eu presenciei, a Luna (cachorra), reconheceu a tutora pela voz!!! De repente começou um alvoroço na tenda onde ela estava, o tutor entrou para ver e era a cachorra chamando pelos seus tutores. Uma emoção indescritível!! Eles adotaram a Luna quando ela tinha 15 dias de vida e hoje ela está com 6 anos (Figura 02). O tutor Paulo me mostrou o vídeo dela sendo resgatada da casa. O resgatista estava com a água na altura do peito (Figura 03). Eles já tinham ido a vários abrigos à procura da Luna. Então, após quase 03 meses eles se reencontraram!! Depois ele me enviou a seguinte mensagem: “Em nome de todos nós, filhos, netos e tios, enfim todos que sofreram com esta separação da Luna. Muito obrigado por cuidarem, dar carinho e proteger nossa bebezona. Vocês são anjos!!!.”

Figura 02. Luna e seus tutores.

Figura 03 Resgate da Luna

Depois a Preta foi reencontrada! Ela era da mãe da Kátia que foi buscá-la. A mãe dela faleceu 30 dias antes da enchente. Descreveu que o sentimento de reencontrar a Pretinha era o maior do mundo! Mas eles ainda estão em busca do Preto (Figura 04).

Figura 04. Preta e Kátia

O terceiro reencontro foi de um rapaz que fez trabalho voluntário no isolamento (Figura 05). Ele se apaixonou pelo cão que estava no abrigo. Ele teve que voltar ao seu trabalho, mas não se esqueceu da conexão que ele teve com aquele animal. Ele estava morando com um amigo e prestes a se mudar, então poderia buscar o seu amigo. Não sabia se ele tinha sobrevivido à cinomose, e veio tentar a sorte. E foi sorte mesmo, porque ele tinha saído do isolamento há poucos dias.

Figura 05. Reencontro 3

O quarto reencontro foi de uma família com seu cãozinho. Ele estava no espaço Britas, que é a primeira parte onde se veem os cães. Foi muita alegria! O menino ficou muito emocionado! (Figura 06) Estavam separados desde 04 de maio. Disseram que agora só falta encontrar Bob.

Figura 06. Reencontro 4

Nesse dia da feira de adoção, veio uma família muito querida com seus filhos adotados. A menina ficou pedindo para a mãe levar uma daquelas cachorrinhas que estavam lá, porque ela sabia o que era morar em um abrigo. Então, você ver uma criança de 6 ou 7 anos pedindo para a mãe tirar o cão do abrigo, é muito tocante. São muitas histórias tristes que ouvi nessa semana… Pessoas que vinham tentar reencontrar os
seus que nem foto do seu animal tinham porque perderam tudo, até o celular. As pessoas que nem óculos de grau em boas condições tinham, outros que tinham casa e agora moram em casa de amigos e/ou parente e só depois de 23 dias puderam voltar para casa, e por aí vai.

De uma coisa eu tenho certeza, ir nessa missão, foi um chamado. Nesse momento, foi onde eu dei mais valor à minha graduação em Medicina Veterinária! Pelo menos por uma semana, consegui trazer conforto, carinho e alegria a alguns cães! E também conseguir arrancar sorrisos dos funcionários! E agradeço por todas as pessoas que conheci. À minha “equipe sete”, pessoas sensacionais! Com certeza eu ganhei muito mais do que doei!! Ganhei coisas que dinheiro nenhum compra!

Por Ellen Lueders em 03/03/2025

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